O general da reserva, Augusto Heleno, respondeu a uma publicação do jornal Folha de S. Paulo. Segundo Heleno, a mídia fez comentários impróprios quando noticiou que o militar pediu demissão do COB. 

Segue a íntegra da resposta do Eminente General:

RESPOSTA DO GEN AUGUSTO HELENO À FOLHA DE SÃO PAULO

Ao noticiar meu pedido de demissão do COB, a Folha de São Paulo fez comentários impróprios. Decidi contestá-los, em respeito à verdade dos fatos.
1º comentário: “Ele foi ex-comandante da Missão das Nações Unidas no Haiti entre 2004 e 2005. Na ocasião, foi bastante criticado pelos Estados Unidos, que o acusaram em um relatório de ter "tem feito pouco para estabilizar, proteger a população e impedir violações de direitos humanos". Um documento vazado pelo Wikileaks mostra que o então embaixador dos EUA no Brasil John Danilovich pediu a substituição do brasileiro (da MINUSTAH), o que aconteceu (a substituição) em setembro de 2005.”
Resposta: O Doc Res do MRE de 09/05/2005 mostra que esse pedido, se aconteceu, não correspondia ao pensamento da ONU. Basta ler a carta do MRE dirigida ao Embaixador do Brasil na ONU:
“ ... Muito agradeceria a Vossa Excelência solicitar, com urgência, audiência pessoal com o Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan,
oportunidade em que deverá transmitir-lhe a resposta do Governo brasileiro ao convite para extensão do mandato do General Augusto Heleno Ribeiro Pereira como Comandante das Tropas da Missão de Estabilização da ONU no Haiti. ....
i) O Governo acolheu com grande satisfação o convite transmitido pela nota DPKO/MIL/FGS/2005-75;
ii) a prática observada pelo Ministério da Defesa tem sido a de substituir, após um ano de serviço, oficiais militares designados para funções
como a atualmente exercida pelo General Augusto Heleno Ribeiro Pereira;
2º comentário: “Anos mais tarde, no posto de comandante militar da Amazônia, ele criticou a postura do governo federal na demarcação de terras indígenas no território da Raposa do Sol em 2009.”
Resposta: Declarei, à época, com conhecimento de causa, que a política indigenista era lamentável para não dizer que era caótica. Hoje, por tudo que aconteceu desde então, está provado que é realmente caótica. A recente nomeação do Gen Franklimberg para a direção da FUNAI me dá esperança de que esse cenário se modifique.
3º comentário: “Ao passar para a reserva, em 2011, ele defendeu o golpe de 64, por ter evitado a "comunização do país."
Defenderei sempre essa evidência histórica. Se não fosse a contrarrevolução (e não golpe) de 1964, é bem provável que a Folha não tivesse liberdade para escrever o que lhe apraz, sem maiores compromissos.
Gen Augusto Heleno