O chefe do gabinete de Segurança Institucional do governo Temer, Sérgio Westphalen Etchegoyen, sugeriu “medidas extremas” para a segurança pública, elogiou feitos do regime militar e disse que o país sofre com amoralidade e com patrulha do “politicamente correto”.

A fala foi dita para comunidade diplomática durante uma palestra no Instituto Rio Branco. 

Para Etchegoyen, o país passa por crises tão profundas que afetam a própria estrutura do Estado: 

“Nós nunca vivemos, no Brasil, um momento em que coincidisse, com tanta intensidade, tantas crises estruturais e tantas crises setoriais. Isso nos dá uma crise sistêmica”, disse. “E nós não vamos tratar com Aspirina nem com Tylenol. Nós vamos tratar com antibiótico, com todos os efeitos colaterais”, completou.

O general demonstrou saudades da autonomia que havia no período militar:

“Imaginem se hoje seria possível construir, no Rio de Janeiro, o Cristo Redentor? Quanto é que ia nos custar de discussão no Ibama, com o Ministério Público? Quanto nos custaria fazer uma ponte Rio-Niterói, pra ficar no mesmo tema? O bondinho? Itaipu?”, disse, referindo-se a algumas das maiores obras de infraestrutura do regime militar. 

Mais adiante, continuou:

“Nós perdemos a noção de crescimento e passamos a ser uma sociedade de outra natureza, particularmente a partir de 88, a partir da Constituição de 88, que não tem, como prioridade, crescer”, disse. 

Ao final, o general atacou o politicamente correto:

“Quantos e quantas aqui teriam coragem de levantar e discutir claramente a sua opinião sobre cotas, por exemplo? Isso é uma coisa que, na sociedade, nós estamos buscando uma unanimidade – e eu não estou falando contra as cotas, eu estou tratando teoricamente do assunto – mas nós queremos uma unanimidade na sociedade?”

O general Etchegoyen é responsável pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Recentemente o deputado Carlos Marun, do PMDB, defendeu a indicação do militar a disputa pelo partido pela presidência da República.


Com informações do The Intercept Brasil