Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o comandante do Exército, General Villas Bôas, falou sobre sua batalha contra uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. 

Villas Bôas classificou sua situação como "inaudita", mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. 

Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.

Ainda segundo a reportagem da BBC, "há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais "linha-dura" e ícones dos "intervencionistas" - como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército - assumam o comando da Força."

E mais:

"Mourão, ao lado dos oficiais Juarez Aparecido de Paula Cunha, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, e Gerson Menandro, da representação brasileira na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), são os mais bem colocados no chamado "Almanaque do Exército"."

"O termo refere-se a um ranking de posicionamento dos militares dentro da linha hierárquica, com base na colocação que eles obtêm no decorrer de sua formação e carreira. A posição dentro do almanaque, atualizado mais de uma vez por ano a cada ciclo de promoções, define hierarquia mesmo entre militares no mesmo posto.

Aspirantes da turma de 1975, os três generais cotados para o lugar do atual comandante vão para a reserva em março do próximo ano.

Segundo Villas Bôas, o Exército tem "como praxe" nomear alguém ainda da ativa.

"Realmente não é uma praxe a escolha de oficiais da reserva para voltar para a Força e assumir o comando. A praxe tem sido sempre no sentido de escolher alguém ainda na ativa porque isso realmente fortalece a coesão", explica.

Mas ele nega estar resistindo no cargo para barrar os colegas."